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sábado, 7 de julho de 2012

Cinco redações nota dez

Você já deve ter ouvido falar que, para se escrever bem, é preciso ler muito. Trata-se de uma verdade incontestável. A leitura amplia o seu repertório de conhecimentos, inclusive linguísticos e gramaticais, e lhe fornece modelos de como são escritos os bons textos.

Levando-se isso em consideração, criou-se o Banco de Redações do UOL, que, mensalmente, oferece aos usuários do portal uma proposta de redação a ser desenvolvida e enviada para correção. No início de cada mês, o site apresenta a correção de 20 dos textos encaminhados (os textos corrigidos são selecionados por sorteio).

Oferecer ao internauta a leitura de outras redações, além das que ele mesmo escreve, é uma forma de ajudá-lo a conhecer como outros estudantes, por hipótese em condições semelhantes à dele, se desempenharam no desenvolvimento do tema proposto. Além disso, ao apontar erros e comentar questões de linguagem e estilo, o Banco de Redações mais uma vez está fornecendo modelos do que deve ou não deve ser feito. 

Nota máxima

Tendo em vista a realização do próximo Enem, o Banco de Redaçõesapresenta a seus leitores uma síntese do trabalho que é desenvolvido desde agosto de 2007, com exemplos de cinco redações que obtiveram a nota máxima. Sua leitura possibilita tomar contato com textos bem avaliados, produzidos por internautas que frequentam o site, bem como compreender, por meio dos comentários que são feitos, os critérios utilizados para a correção das redações.




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A sobrevivência do preconceito

O fato de muitos negros hoje ocuparem lugares de destaque não indica que o preconceito racial está chegando ao fim, demonstra apenas que o mundo está abandonando a imagem do negro como pessoa incapaz de atingir um objetivo. São pessoas que conseguiram aproveitar as oportunidades e alcançaram o sucesso, porém, jamais chegariam aonde estão se não tivessem algum respaldo financeiro.

A escolha dos americanos para presidente da República mostra que o preconceito existe até nos dias atuais, pois foi uma eleição que jamais causaria tanto impacto se o mundo estivesse realmente amadurecido quanto a questão racial. Foi um espetáculo midiático, que transformou um candidato comum em um arauto dos novos tempos, fazendo com que parecesse mais um duelo de raças do que um embate de propostas políticas em uma nação que depois de tanto controlar o mundo começou a ter seu brilho apagado.

Barack Obama não teve a infância que um negro pobre teria, cursou universidades prestigiadas e teve como cartão de acesso ao mundo dos brancos o fato de sua mãe e avós maternos serem desta raça. O grande mérito de Obama foi ter aproveitado as oportunidades que tinha e conseguir trilhar uma trajetória política que fizesse com que merecesse uma vaga na disputa pela Casa Branca.

Quanto aos artistas negros que fazem tanto sucesso em Hollywood e que parecem servir de amostra que o preconceito está acabando, leva a um silogismo onde as pessoas acreditam que o fato delesestarem lá significa a derrubada do muro da intolerância e o fim da imagem do branco como superior. Como existem personagens negros, obviamente existirão atores negros, algo que é tão natural que se torna bizarro que tais atores sejam utilizados como símbolos dos novos tempos.

O preconceito racial sobrevive e somente com investimentos na área de educação e a punição para atos discriminatórios podem diminuir cada vez mais a ideologia racista predominante. Não é o sucesso de alguns negros que vai abrir o caminho para os outros, da mesma maneira que não é reservando cotas em faculdades, mas sim a melhoria do ensino público que podem diminuir a diferença entre a média da população de quaisquer raça que consiga atingir o ensino superior.


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Tempos de falsa liberdade

O toque de recolher não protege a juventude nem a sociedade. Embora venha sendo sucessivamente adotado em várias grandes cidades brasileiras, mostra-se como uma medida de eficiência duvidosa que mais esconde que soluciona o problema dos jovens e as noites urbanas do Brasil.

Os primeiros anos do século XXI vêm sendo de dura repressão. Não mais como aquela da década de sessenta [1960]tempos de ditadura, mas é uma repressão velada, o que é pior. Fingindo pôr um fim aos problemas de drogas, alcoolismo e violência relacionados especialmente à juventude, governantes adotam essa lei que apenas tira de alguns o seu principal direito: a liberdade.

E tudo isso é feito para tentar esconder a incapacidade das autoridades de resolver essa questão. É evidente que não é necessária apenas uma esquina escura para o uso de drogas e a prostituição juvenil. A violência continua a ocorrer em qualquer hora do dia, mesmo nos locais em que o toque de recolher foi imposto. Assim, os índices de criminalidade entre os menores de dezoito [18] anos permanecem altos, e as cidades continuam inseguras.

Esse é um problema que precisa ser resolvido, mas de forma mais séria. O que é necessário é a inserção da segurança nas ruas brasileiras em todos os momentos do dia, além da tomada de medidas que realmente impeçam o consumo de drogas e prostituição dos jovens, sem que seus direitos sejam feridos. Destas, a principal é a educação.


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Outros tempos...

Não vejo problema algum com a moda do "selinho". Chega a ser ridículo pensar que um beijo em que os lábios se tocam de leve possui forte conotação sexual. É um beijinho. Só isso. Uma demonstração de afeto inocente da mesma maneira que um abraço, um aperto de mãos. Se fosse algo a mais que isso, pais e filhos não se cumprimentariam dessa forma, como já é de costume em muitas famílias.

De fato, não entendo a implicância com o "selinho", ainda que entre parentes. Se duas pessoas não veem problema nenhum em fazer isso e se sentem felizes assim, por que devemos nos importar? Afinal, ninguém está obrigado a cumprimentar os outros dessa maneira e, francamente, não é nenhum atentado ao pudor ver alguém dando um selinho à sua frente.

Mas a questão é outra. O incômodo, na verdade, é com tudo aquilo que é moderno, que rompe com os velhos padrões da sociedade. Condenar o beijinho na boca não passa de uma atitude conservadora. Basta voltarmos um pouco no tempo. Quando que [Quando] pais e filhos se cumprimentariam com um selinho? No máximo, apertavam-se as mãos no momento em que os filhos pediam a "benção" [bênção] antes de dormir.

Realmente, romper com padrões não é uma tarefa fácil. Mas a luta deve continuar. Não se pode se calar, nem de boca fechada. São outros tempos e isso deve ser levado em conta.


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O exercício necessário

Na busca incessante por seu espaço na sociedade, o jovem adere aos mais variados tipos de comportamentos de acordo com o referencial que tem do certo ou errado. Esse vai e vem [vaivém] frenético de mudanças de atitude passa pela troca da cor do cabelo, dos olhos, da pele, do modo de se vestir, se comunicar e assim tem sido ao [também no] abster-se de votar aos dezesseis anos de idade, estão [idade. Estão] renunciando[a] uma conquista estudantil que foi consagrada na Carta Magna do país, desde 1988.

Parece senso comum que, para os jovens, o "estar na moda" é fazer parte de uma tendência, aderir a estilo de vida diferente. Alguns radicalizam, outros pacificam e há àqueles [aqueles] que não se definem, tudo é válido e como a sociedade é dinâmica, a informação chega e vai-se rapidamente, logo os jovens estão diante de novos referenciais, se adaptando ao novo, ao recem chegado [recém-chegado], ao moderno.

A mídia nos últimos anos bombardeou-nos com notícias dando conta de inúmeros atos de corrupção praticados nos mais diversos escalões dos governos, cenas desalentadoras de governadores, prefeitos, deputados, vereadores e outros assessores recebendo propina para beneficiar empresas, pessoas, alimentando um negócio sujo que movimenta milhares de reais, inclusive dos cofres públicos. Este tsunami de maus exemplos tem contribuído [contribuído] de maneira decisiva para o desencanto e frustação [frustração] não só dos jovens pela política, mas é notório que à medida que os escândalos vem [vêm] à tona, a insatisfação e desconfiança aumentam em progressão geométrica também entre os maiores de dezoito anos.

Apesar dos maus exemplos observados no atual cenário político é até compreensível que as pessoas de modo geral não encontrem o referencial de honestidade e firmeza de caráter que almejam para representá-los, porém não faz sentido também abster-se da única ferramenta que tem [têm] em mãos para mudar o caos que ora se apresenta, afinal em um país democrático, o poder é exercido pelo povo e para o povo e quanto mais cedo possível, melhor.



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